Mamute narra desventuras de um açougueiro (Gérard Depardieu) que, em busca de sua aposentadoria, sai em viagem para obter comprovantes de tempo de serviço. O filme conta com o desempenho excelente do ator, que transita entre drama e comédia com desenvoltura.
Há cenas muito engraçadas, inesperadas, que tentam marcar o despontar de sentimentos sofisticados guardados no couro do açougueiro simples, meio inocente, ingênuo e bruto. No entanto, esse despontar, parece-me, poderia ter sido melhor desenvolvido. Apesar de gostar do filme, fiquei com a impressão de que algumas cenas tinham mais intenção de promover uma linguagem "cult" do que a figuração que - imagino - seria necessária para construir a transformação da personagem.
Não pude deixar de comparar Mamute com Minhas Tardes com Margueritte (resenha ainda pendente nesse espaço): sob um ângulo diferente, mas com semelhanças marcantes, os dois filmes revelam sentimentos, pensamentos e trajetórias de personagens (protagonizados pelo mesmo ator) simples, mas de caráter e emoção significativos. Na comparação, Minhas Tardes pareceu-me superior, em termos de simplicidade e de profundidade, o que não afasta os méritos e a graça de Mamute.
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