quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Minhas Tardes com Margueritte


Simples e Sensível.

Germain (Gerard Depardieu) é um homem rude, ingênuo, com pouca instrução. Humilhado pela mãe desde a infância, é alvo de chacota pelos amigos, e se sente menor do que os outros em razão de sua (suposta) limitação intelectual. Margueritte, uma senhorinha solitária que tem paixão pelos livros. Em comum, ambos têm a sensibilidade e é por isso que se encontram: Margueritte observa como Germain conta e põe nome em cada um dos pombos que vivem no parque.

A partir daí, seus encontros são quase que diários: Margueritte lê para Germain e faz com que ele se aproxime novamente dos livros, mergulhe nas estórias que vêm deles. E essa amizade traz grandes repercussões na vida dos dois, numa estória de amor verdadeira e incomum, como o personagem de Depardieu se refere ao final.

Parece ter sido intencional a compleição física dos personagens: ele é grande, obeso, desajeitado; Marguerritte é delicada, magrinha, elegante. Tão diferentes e tão afinados.

Alguns temas que poderiam ser transformados em clichês, como o "bullyng" sofrido pelo protagonista, sua relação conturbada com a mãe, são tratados com sensibilidade e delicadeza pelo diretor. Com pitadas de humor, a estória dessa amizade genuína emociona. Pessoalmente, me peguei pensando como as pessoas atravessam nossa vida por acaso e operam mudanças no nosso microcosmo. Parece que o filme conseguiu fugir do clichê, mas eu não consegui, para falar dele.



Um comentário:

  1. Bela crítica! E não foi clichê... um filme muito gostoso, mesmo: despretensioso e surpreendentemente tocante. Grandes atuações.

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