Um filme biográfico gostoso. Gainsbourg, nome artístico de Lucién Ginzburg (1928-1991), foi um artista francês, poeta, desenhista, músico e cantor, cujas feições caricatas permitem a construção de uma personagem sedutora e polêmica... O filme adota uma interessante forma de traduzir conflitos internos do protagonista, com elementos lúdicos. Lucién e, mais tarde, Serge contracenam com seu alter ego. O filme conta com grande atuação de Eric Elmosnino (muito parecido com o próprio Gainsbourg, cuja foto segue ao lado) no papel principal.
Impossível não nos deleitarmos com algumas das sacadas do sedutor, desde criança irremediavelmente ligado às mulheres; à sedução, contrapõe-se o lado perigoso do vício. Mas não é um relato histórico, fiel e imparcial. O filme tem uma declarada visão romanceada da vida do poeta; essa visão é mais uma homenagem ao protagonista, tanto que, no final, o diretor afirma, a respeito de Gainsbourg: "Gosto de suas verdades, mas prefiro as suas mentiras".
Esse filme me lembrou duas frases do irlandês George Best: "Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei"; "Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos de minha vida"! Best foi um gênio do futebol, considerado por muitos o melhor jogador do mundo, mas nunca chegou a jogar uma Copa do Mundo. Seu brilho durou pouco, em virtude dos excessos. No filme, essa visão romanceada que nos é apresentada remonta ao elã que esses lemas invocam, de uma época em que luxúria, álcool, cigarros e poesia formam expressão de uma arte transgressora e sedutora...
Abraços!
Nenhum comentário:
Postar um comentário