Na quinta-feira à noite, apenas por um acaso, assisti a um ótimo documentário no programa doc.tv, da TV Cultura. Peguei o filme começando, assisti aos primeiros minutos para ver do que se tratava, e quando vi que falava de boxe, esporte que gosto muito, resolvi assisti-lo todo. É um ótimo documentário, bem realizado (em formato digital) e editado, com trilha sonora envolvente e uma alternância dos depoimentos que dá boa dinâmica ao filme.
É a história do lutador Touro Moreno, uma espécie de lenda do boxe capixaba, e que, à época do filme, aos 69 anos de idade (isso mesmo, 69 anos!) se prepara para desafiar um lutador pelo menos uns 25 anos mais jovem. Como disse, gosto de boxe, e só a temática já vale o filme (a propósito, o encontro da "sétima arte" com a "nobre arte" já é uma tradição e rendeu ótimos filmes, como Quando Éramos Reis, Touro Indomável e Menina de Ouro). Também disse que o filme é bem realizado, o que conta muito, especialmente no gênero documentários, no qual muitas vezes os filmes pecam por falta de ritmo e cuidado visual e de edição. Mas, mais do que isso, a história é muito interessante, pois mostra um homem vivendo uma vida bastante modesta, orgulhoso e apegado a um passado glorioso. Passado, aliás, não tão glorioso assim, pois os depoimentos deixam claro que Touro Moreno poderia ter sido um grande atleta, se não fosse sua vida boêmia, que gerou certas confusões e falta de disciplina, e sua inserção pela luta livre ao estilo Telecatch, que acabou despretigiando sua atuação profissional. Mas, por tudo isso, o personagem é interessantíssimo, e sua história, fascinante.
Impressiona muito a transformação de um senhor flácido, que aparece nas primeiras imagens, em um forte e rijo lutador, nas últimas sequências e ao final do treinamento. Inteligentemente, essa transformação acontece em paralelo (e em sentido contrário) à reconstrução da trajetória do Touro, de sua glória inicial aos problemas de comportamento e ao esquecimento parcial. No fim, a tal luta para o qual Touro Moreno se preparava não aparece, e não se sabe seu resultado. Mas acho que nem precisa, pois o filme já termina com um vencedor.
pois é, Fredinho, o soco na cara é mais que uma metáfora! Valeu!
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