
Saí do cinema maravilhado com o novo filme do Woody Allen. As resenhas falam, com razão, em tributo a Paris, mas o filme é muito mais do que isso. Homenageia-se um tempo romântico de viver mais lentamente (slowlife), que combina com o estilo europeu de ser e que cada vez mais nos é afastado pelo ritmo frenético das demandas profissionais. Mas também não é só isso. De forma muito leve, o filme toca os recônditos da alma de formas diversas, provocando emoção, alegria, apreensão, surpresa e reflexão. Com elementos fantásticos, o diretor leva o espectador a se deliciar com os percalços do escritor inseguro, numa exortação à coragem e à liberdade, que se manifesta pelo próprio formato da película. E, ao mesmo tempo, retoma o caráter transformador da arte: como uma experiência que deve ser vivida, experimentada de forma despretensiosa. A crítica ao pedante pseudointelectual é muito engraçada. Melhor parar por aqui, para não estragar a surpresa. Os filmes completos, como O filho da noiva, O segredo de seus olhos, Abraços partidos têm disso: experimentamos vários sentimentos, reencontramos nossa humanidade. E ficamos besta (para usar uma expressão do interior) com ela!
Curiosamente, ontem o dia estava propício para caminhadas. O dia claro, a temperatura agradável, o fato de ser domingo, isso me levou à Avenida Paulista, um verdadeiro parque urbano. As pessoas caminhavam, namoravam, corriam, enfim, passeavam pelas largas calçadas da Avenida, deparando-se com obras de arte, com a Feira do MAsp, com protesto organizado contra a construção da usina de Belo Monte... Comigo não foi diferente. Estava sozinho. Almocei num restaurante próximo à Rua Augusta e saí andando, parando, conversando pequenas coisas até chegar ao Reserva Cultural. Saí pensando no filme que acabara de ver e me senti quase que num ambiente parisiente: não tão belo, nem mágico, mas ainda assim encantador...
Abraços!
Que bom! Esse post é melhor que qualquer crítica da grande imprensa. Pude sentir um pouco do prazer da obra de arte, compartilhado pelo autor. Para mim foi ótimo, diria até vital, pois no momento não tenho muita facilidade para sair de casa, já que estou cuidando de minha filha recém-nascida, dividindo as tarefas com minha esposa. Meus momentos de lazer (dos quais não podemos abrir mão completamente, sob pena de esgarçamento do ser)são rápidos, conforme a oportunidade, até nos adaptarmos a uma nova rotina. A internet tem se mostrado um bom canal para experimentar cultura. Valeu, Fabião!
ResponderExcluirGostei muito desse filme, pois tem todos os elementos dos bons filmes de Allen (os personagens e as situações engraçadas, os diálogos corriqueiros mas cheios de sacadas), mas retoma algo que ele fazia em alguns filmes mais antigos: a fantasia, o irreal, surreal. E o Owen Wilson, com aquela cara de abestado, foi um ótimo alter-ego do diretor!
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