Está fazendo bastante sucesso o curta-metragem Eduardo & Mônica, dirigido por Nando Olival, produzido pela O2 (do cineasta Fernando Meirelles), e realizado sob encomenda da operadora de telefonia Vivo. Esse último detalhe eu só vi no final, embora a frequência com que celulares e tablets aparecessem ao longo do filme tivesse me chamado atenção ("pô, parece propaganda de celular!").
Como fã de Legião Urbana, adorei o filme. Além de bem produzido e dirigido, transferiu com perfeição a música para o cinema. Chegou a me emocionar - especialmente na sequência "seguraram legal a barra mais pesada que tiveram", em que Mônica abraça, solidária, o marido Eduardo. Houve quem criticasse o fato de que as sequências não foram gravadas em Brasília (cidade da história original da música), mas sim em São Paulo; achei um detalhe menor, pois vale a essência da história, que é uma bonita história de amor - e por isso mesmo, universal. A única ressalva que faço é sobre a dificuldade de representar um Eduardo mais velho, que acompanha a história do casal, usando um ator tão novo - suas cenas finais, com óculos e terno, são meio forçadas...
Mas enfim, o filme é isso: um comercial de operadora de telefonia, que utiliza um novo canal de comunicação (o YouTube) para difundir um vídeo comercial com duração superior ao dos espaços negociados na TV. Ser um comercial tira o mérito do filme? Não sei, mas por um apego talvez um pouco ingênuo (ou idealista) à música e a banda originais, me senti um pouco ofendido pela sua "apropriação" comercial. Por outro lado, como disse, o filme me trouxe lágrimas aos olhos. E isso, no fundo, despertou minha crítica e minha reflexão: maldito capitalismo, que usa histórias de amor e uma das músicas mais famosas de uma das bandas mais importantes do rock nacional para vender celular!
É possível separar a arte do filme (um belo e bem produzido filme) de seu objetivo comercial (vender celulares na semana do Dia dos Namorados)? Mais do que isso: há, hoje, arte sem objetivo comercial? Certamente há, mas a chamamos de "alternativa" ou "underground" pois passa ao largo de nossos hábitos (de consumo) culturais. Filmes "de arte" são produzidos com dinheiro, para se ganhar mais dinheiro. Filmes "comerciais" (ou blockbusters) também, em uma escala maior e com esse objetivo comercial mais escancarado. E ambos nos entretêm, agradam, divertem, emocionam e fazem pensar. Produção, distribuição, divulgação - todas elas, operações comerciais. O cinema nacional (mas não só ele) vive do patrocícnioA própria Legião Urbana vendia discos - e ganhou um bom dinheiro com o disco Dois, que projetou a banda graças a sucessos como Eduardo e Mônica. Além disso, devemos reconhecer, há bons comerciais, que muitas vezes fazem história e aderem à nossa memória mais do que os produtos que pretendiam vender. E também há grandes diretores e roteiristas que começaram a carreira atuando em publicidade.
No fim das contas, ainda sob a euforia causada pelo curta, descobriu-se um outro vídeo, um pouco mais antigo e de outra operadora de celular, também baseado na música da Legião Urbana e incrivelmente parecido com a produção patrocinada pela Vivo. Isso apagou de vez o lado "artístico" do curta, e evidenciou a "alma do negócio": copiar e vender.
Belo post! Ainda com uma revelação ao final interessante e que desconhecia. Acho que esse blogue terá sucesso.
ResponderExcluirMuito boa a reflexão! E que tristeza esse vídeo da ATL. Mataram a música e a ideia. E como no Capitalismo, nada se cria, tudo se copia, a Vivo conseguiu pegar a ideia e fazer um material mais bem acabado!
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