
Um filme difícil, mas nem tanto. Difícil para quem tente compreendê-lo com olhos racionais.
Sua história, comum, é narrada de modo absolutamente desconexo com parâmetros realistas. Mesmo assim, há uma lógica intuitiva, que conduz o espectador a sentimentos de sua própria história.
Ao menos, comigo foi assim.
Acredito que a resenha sintética divulgada ajuda a dificultar a experiência que o filme tende a nos provocar.
Não é um filme para se entender, mas para se viver. É uma experiência cinematográfica que, no meu caso particular, conduziu-me à lembrança de dois personagens muito próximos de minha história, um deles falecido há pouco; outro, há alguns anos.
Nas duas situações, acompanhei a dor de filhos que perderam seus pais. A transformação pessoal de cada um é única, decerto. Mas o filme nos traz sentimentos tão pungentes sobre a vida e a morte, sobre o que passam cada um dos entes ligados à perda familiar, que nos permite identificar nessa dor fundamentos de um amor familiar profundo. E isso tudo apenas na primeira parte.
Na segunda parte, faz-se uma reflexão sobre aquilo que poderia (ou deveria) ter sido e não foi. E sobre como esse não foi, mesmo assim, produz as personagens, os dramas e o amor real, imperfeito, humano. Todo o filme é marcado por simbolismos até exacerbados, pois nos leva a racionalizações para entendê-los. Mas quando nos deixamos levar pela emoção que cada uma das cenas provoca, seja de solidão, seja de angústia, seja de superação da dor, de compaixão, viajamos por uma via de compreensão sentimental. As cenas finais trazem marcantes a individualidade e a espiritualidade representadas pelas pessoas na praia, num clima de reconforto e reconciliação interna, de paz do sujeito, enfim, traz uma noção de amor e de felicidade.
Ao contrário do que possa parecer, nem o sentimento religioso, nem a fé, e nem mesmo os rigores de uma educação ultrapassada serviram de mote central do filme, para mim. Os temas centrais, para mim, são a vida, a morte, a experiência e o crescimento de um ser humano, através de amores e ódios igualmente humanos.
É difícil comentar sobre o filme. Há algo de transcendental (não é essa a palavra, falo de algo não palpável, mas interno ao espectador) que se procurou - com algum êxito - tocar. Como algo tão pessoal, tão natural, não pode ser traduzido em palavras.
Só sei que vale a pena!
Abraços!